terça-feira, dezembro 06, 2005

Novos Contornos - Episódio 4.51205

Na sala pálida de cor irritante por entre corredores sombrios, a família enterrada em cadeiras olhava-se comprometida, ouvindo o eco bem fundo de uma voz distante que falava palavras estranhas, nada familiares em tom de brincadeira insustentável. No clímax da sua angústia começa Patrono: "- Já não pode ser assim, para mim assim não dá! De noite chegamos a casa, jantamos, vemos um pouco de televisão e depois vamos para a cama... dormir! De manhã acordamos, vamos trabalhar e no dia seguinte repete-se tudo outra vez. Não pode ser. Eu compreendo que gostes de conversar comigo, mas para mim aquela parte também é importante, não consigo viver assim!" blá blá blá... Ainda antes de conseguir ouvir a segunda frase, sua mulher trata de responder que existem coisas mais importantes e que uma relação não vive só disso, dizendo da boca para fora que muita coisa tinha mudado e não valia a pena continuar a insistir. Patrono contra-argumentava e as duas vozes soavam em uníssono sem se ouvirem uma à outra. Enquanto decorria a discussão, filha e irmã da mulher olhavam pasmadas. A filha tentava apenas compreender o porquê de pais tão agitados, enquanto a irmã calava um olhar demasiado comprometido. No calor do alvoroço, Patrono explode em confissão o tórrido apreço, tantas vezes saciado pela irmã da mulher. A mulher chocada não ficou, pois conhecia bem o fogo daquele corpo másculo tão sedento de suor, prazeres e desejos. Olhou apenas para a filha e sem serem precisas quaisquer palavras, Patrono percebeu não ser esta o gérmen de prazeres antigos satisfeitos. Foi então que percebeu que o segredo de uma vida guardado estava agora a descoberto e aquela pequena menina era origem de um antigo devaneio de sua mulher com seu irmão Tiago Mauro, que nos dias que correm é irmã e dá pelo nome de Marlisa com quem, num momento de apetite voraz, partilhou também certos momentos intímos...

2 Comments:

Blogger Eu__ said...

Tudo mentira...vil e triste mentira...fui levado a tocar-lhe, admito...aquele corpo quente...cabelo loiro deitado em tons de ouro por umas costas com o toque de seda que logo se arrepiaram com o calor dos nossos corpos que se encostavam então...foi doce...paixão quente na lentidão de quem se esqueceu de tudo mais naquele momento parado num paradoxo carnal que me elevou a necessidade que então deixavas em mim a descoberto...a culpa foi tua (da mulher)...eu preciso da carne...daquele calor que me leva em paixão ao nosso suor que se entrelaça como os nossos corpos se fundem num só instante que ali se deixou demorar tantas horas...foi bom...eu confesso...mas a culpa foi tua que sabias de toda a minha necessidade e te deixaste ficar pelo que achavas ser os teus direitos sem que o teu pensamento me tocasse sequer...fui dela ali...fui...

12:29 da manhã  
Blogger W&A said...

Agora, desta luz fusca em que te olho, digo-te vai! Vai e vive emoções fora de mim, sai dos meus contornos e deixa a minha pele fria, gelada que outro toque aquecerá!...
Aproveita cada dia e cada segundo de outro corpo, sem que de mim tenhas uma ruga de testa ou sequer uma palavra. Já não te vivo na intimidade dos dias que passaram ou da pressa dos momentos que vivemos, logo depois do teu falso sim... talvez!
Vai e sê feliz sem qualquer pitada de amargo, sem o calor que do meu corpo e alma tão bem conheces. Segue outros caminhos e outros contornos, porque frio o meu sangue nunca será e vontade de viver outros amores e paixões tenho de sobra!
Adeus... porque não existe nada entre nós...NADA!!! *

10:58 da tarde  

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